Nematicida e redução fertilizantes

Nematicida vs. Adubação

A “lei do mínimo” criada por Liebig afirma que se existe um fator limitante sério ao crescimento da planta, a correção de um outro fator em deficiência pode não produzir o efeito desejado enquanto o primeiro não for corrigido. Esse princípio pode valer para outros fatores de produção, como exemplo, uma planta de cana-de-açúcar com sistema radicular atacado por nematóides não irá responder a adubação conforme esperado.

No setor sucro-alcooleiro  é cada vez maior a pressão para a redução de custos. Essa prática exige medidas inteligentes e eficazes, é necessário avaliar os históricos dos talhões e dos ambientes de produção no que se refere à produtividade agrícola, à freqüência das correções químicas e à quantidade de fertilizantes. Além disso, ter o apoio de análises de solos para o conhecimento e uso do estoque de nutrientes do solo.

Na chamada lei dos incrementos decrescentes, na qual “o maior incremento de produção é obtido com a primeira quantidade de fertilizante aplicada”, cada quantidade de nutriente adicionada sucessivamente, corresponde a um incremento de produção cada vez menor. De certa forma então, criamos um estoque de nutrientes no solo em algumas áreas.

É importante ressaltar também, a importância da correção do solo nesses casos, a ação dos corretivos é essencial para a melhor disponibilidade dos nutrientes e melhor desenvolvimento do sistema radicular.

A palha, a vinhaça e a torta de filtro são artifícios que permitem manejar a adubação de forma mais econômica. Levando em consideração esses fatores é possível a redução da adubação associada ao uso de FURADAN sem qualquer interferência na produtividade.

O uso dos nematicidas pode atenuar ou reduzir com segurança a quantidade dos fertilizantes tanto em plantio como em soqueira, de acordo com uma série de experimentos demonstrando tal evidência. Em experimento de longa duração, com três cortes feitos na Usina Barra Grande, de Lençóis Paulista,  foi demonstrado justamente tal fato. No plantio deste experimento foi adicionado fósforo e potássio associado ou não ao nematicida, no caso o Furadan. Após o primeiro corte os tratamentos receberam somente 90 kg N e 120 kg de K20, mas não o nematicida, que teve ainda sua ação residual.

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Observe que o uso dos fertilizantes com dose máxima sem o nematicida produziu 145 t/ha, produtividade esta semelhante ao tratamento sem fertilizante, porém somente com o nematicida, no caso 144 t/ha. Na média final de três cortes a produtividade sem o nematicida foi de 127 t/ha contra 129 t/ha na quantidade máxima de fertilizante. Resultados como estes têm sido constatados em diversos ensaios ao longo destes anos. Sendo assim e conhecendo-se adequadamente o histórico dos talhões em termos de nível de infestação com nematóides, por que não se utilizar deste conhecimento na racionalização dos fertilizantes? Em tais situações a redução de 10 ou até 15% da quantidade do fertilizante de plantio produz a mesma quantidade quando se utiliza o nematicida. Neste caso o custo do nematicida será repassado pela redução do fertilizante.

Resultados obtidos na Usina da Barra têm demonstrado também as mesmas tendências obtidas na cana planta com o uso de nematicida e redução do fertilizante. Note que nestes experimentos a produtividade média dos experimentos nas parcelas sem o fertilizante, porém com o nematicida, foi de 82 t/ha, produtividade esta semelhante nas parcelas onde se usou somente o fertilizante com 79 t/ha para meia dose e 83 t/ha para dose completa.

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Sendo assim, não deixa de ser imperativa a redução pelo menos na faixa de 10 a 20% da quantidade do fertilizante quando se utiliza o nematicida em soqueira, em áreas devidamente conhecidas em termos históricos relacionados à influência dos nematóides.