Biologia e Morfologia

Os nematóides são ovovivíparos e têm o ciclo de vida relativamente simples constituído por ovo, quatro estágios larvais ou juvenis e um estágio adulto. Os ovos quando depositados pelas fêmeas já contém larvas completamente formadas. O termo larva é empregado para designar os nematóides jovens, os quais apresentam todos os órgãos dos adultos, exceto órgãos reprodutores.

Durante o desenvolvimento da larva dão-se quatro trocas de cutícula ou ecdises, sendo os períodos entre duas trocas seguidas chamados fases ou estádios larvais. Com a quarta ecdise, termina o quarto estádio larval, ingressando o nematóide na fase adulta. Durante a vida lavraria, os nematóides apenas aumentam de tamanho e desenvolvem os órgãos reprodutores (LORDELLO, 1992). No estágio adulto os nematóides adquirem variações de forma, enquanto que no estágio juvenil, são tipicamente vermiformes, com corpo longo, fino e cilíndrico.

Ciclo de vida típico de um nematoide parasito de plantas.

Ciclo de vida típico de um nematoide parasito de plantas.

A duração de cada estágio do ciclo de vida dos nematóides parasitas de plantas, varia conforme o gênero e a espécie e sofre grande influência da temperatura. A temperatura ótima para diversos nematóides varia de 13ºC a 32ºC e aproximadamente um mês é necessário para que ocorra o desenvolvimento de uma geração nessas condições. A umidade do solo e a disponibilidade de alimento (que aumenta em função do desenvolvimento radicular de seu hospedeiro) influenciam na duração do ciclo (MCKENRY, M.V. and P. A. ROBERTS. 1985). Temperaturas inferiores a 5ºC e superiores a 40ºC podem ser letais aos nematóides (LORDELLO, 1992).

Alguns nematóides possuem formas de resistência que os permite sobreviver em condições adversas (MCKENRY, M.V. and P. A. ROBERTS. 1985). Em solos secos, as populações de diversos nematóides se reduzem. Porém, ovos da maioria das espécies sobrevivem, garantindo a continuação das mesmas. Por outro lado, em solos saturados com água, criam-se condições adversas aos nematóides nocivos. Há, porém, espécies que se proliferam especialmente em solos úmidos. Admitem os especialistas que os nematóides se apresentam em constante atividade nos solos cuja umidade está entre 40 e 60% de sua capacidade de campo. Estando os terrenos secos ou encharcados, os parasitos em questão se matem inativos por um tempo variável (LORDELLO, 1992).

Geralmente, os nematóides estão presentes no solo e atuam nas raízes das plantas fazendo uso de um estilete bucal que, além de retirar substâncias nutritivas das plantas, viabilizam a injeção de substâncias tóxicas no interior da célula vegetal. Quase sempre esse parasitismo fica evidente pelo aparecimento de formas aberrantes de estruturas – galhas e escurecimento do tecido (ROSSETTO, R. & SANTIAGO, A. D, 2007).

Os nematóides podem ser endoparasitos ou ectoparasitos. Os endoparasitos podem penetrar no vegetal na fase de larvas e dele não sair mais, instalando-se definitivamente nos tecidos, sendo, pois, parasitos sedentários (Meloidogyne spp). Outros nematóides penetram no vegetal e podem voltar ao solo, caso as condições do ambiente local se tornem desfavoráveis a ele. Estes atuam como parasitos migradores (Pratylenchus spp) (LORDELLO, 1998). Os ectoparasitos não penetram nos tecidos da planta. Eles se alimentam de fora e raramente são vistos dentro dos tecidos. Uns migram de uma raiz já necrosada para a outra sadia para continuar se alimentando. São os chamados ectoparasitos migradores: Helicotylenchus spp, Xiphinema spp.