Gênero Meloidogyne
BERKELEY, trabalhando na Inglaterra, descobriu em 1855 que as galhas existentes em raízes de plantas de pepino eram causadas por um nematóide. Em 1887, GOELDI criou o gênero Meloidogyne para conter uma espécie encontrada parasitando cafeeiros no Rio de Janeiro (M. exígua). Em 1949, CHITWOOD demonstrou que diversos animais diferentes estavam sendo designados sob o mesmo nome H. marioni. Fez a revalidação do gênero Meloidogyne, no qual forma colocadas as 5 espécies estudadas na ocasião (LORDELLO, 1992).
Os nematóides que se tornam fêmeas não possuem a capacidade de deixar a raiz (sedentária). As fêmeas adultas iniciam sua oviposição (400 a 500 ovos) sem necessidade de acasalamento com o macho (partenogênese). A oviposição é externa à raiz, porém a fêmea mantém-se no interior da mesma. Quando a fêmea morre, os ovos permanecem junto à raiz ou se fixam em fragmentos do solo (MCKENRY, M.V. and P. A. ROBERTS. 1985).

Raiz apresentando o sintoma de galhas, no detalhe, massa de ovos do nematóide das galhas. Fonte: Ulrich Zunke

Detalhe da fêmea e massa de ovos do nematóide das galhas. Fonte: J. D. Eisenback
O desenvolvimento embriológico dos ovos depositados pelas fêmeas se inicia algumas horas depois de depositados, em local com condições ideais (alta temperatura e umidade), formando-se em seu interior a larva de primeiro estádio (LORDELLO, 1992). Esse juvenil sofre uma ecdise dentro do ovo e transforma-se no juvenil de 2º estádio que eclode do ovo e migra no solo em busca das raízes da planta hospedeira. Penetra nas células das raízes com seus estiletes e liberam uma secreção esofagiana que dará origem às chamadas células gigantes (galhas) próximo ao cilindro central da raiz. No terceiro estágio juvenil a larva cresce e desenvolve seu sistema reprodutivo. A fase adulta é marcada por um acentuado dimorfismo sexual, sendo os machos vermiformes, e as fêmeas, piriformes. A fêmea só inicia sua metamorfose após a infecção na raiz hospedeira (EISENBACK & TRIANTAPHYLLOU, 1991). O ciclo dura de três a quatro semanas.

Larvas de Melodogyne penetrando na raíz. Fonte: McClure

M. incognita. Fonte: McClure

Galha causada pelo parasitismo de nematóides do gênero Meloidogyne em cana-de-açúcar. Fonte: Barbosa, B. F. F.

Galha causada pelo parasitismo de nematóides Meloidogyne incognita. Fonte: David B. Langston
O número de machos numa dada população depende, entre outros fatores, da disponibilidade de nutrientes. Quando há abundância de alimentação, a maior parte das larvas evolui para produção de fêmeas, e havendo escassez de alimentos, decorrente de infestações muito pesadas, ocorre produção de grande quantidade de machos (LORDELLO, 1992).
A riqueza de potássio no solo interfere no desenvolvimento de certas espécies do gênero em estudo. OTEIFA (1951) verificou que a oviposição de fêmeas de M. incógnita aumentava com a adição de potássio à solução nutritiva do solo. Mais tarde, ele demonstrou que o desenvolvimento da mesma espécie sofria retardamento em meios com baixo nível de potássio e aceleração em meios com alto nível (LORDELLO, 1992).
A acidez do solo (pH) apresenta efeito mínimo sobre o ciclo de nematóides do gênero Meloidogyne. Estando o pH dentro dos limites tolerados pelas plantas, os nematóides se apresentarão ativos e normais (LORDELLO, 1992).

Galhas causadas pelo ataque do gênero Meloidogyne em cana-de-açúcar. Fonte: Dinardo-Miranda
![[ Clique na imagem para ampliar ] Ciclo de Vida da Meloidogyne ssp](http://www.nematoides.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2009/04/untitled-19.jpg)

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